Por que a alfabetização é tão importante?

Por Lívia Maria de Carvalho Vilela e Thatiana Alves Davin Silva, professoras do Colégio Unilavras

 

Durante muito tempo, pensava-se que ser alfabetizado era conhecer o código linguístico, ou seja, conhecer as letras do alfabeto. Atualmente, sabe-se que, embora seja necessário, o conhecimento das letras não é suficiente para sermos competentes no uso da língua. A linguagem é um fenômeno social, estruturado de forma dinâmica e coletiva, assim como a escrita, que também deve ser considerada sob o ponto de vista cultural e social.

Para formar cidadãos participativos, é preciso levar em consideração também o letramento. Letrar significa inserir a criança no mundo letrado, trabalhando com os diferentes usos da escrita em sociedade. Essa inserção começa muito antes da alfabetização propriamente dita, quando a criança começa a interagir socialmente com as práticas de letramento. São exemplos: quando os pais leem para ela, quando vai ao supermercado e as marcas chamam atenção nas prateleiras.

Quando consideramos a importância do letramento, ficam de lado os exercícios mecânicos e repetitivos, baseados em palavras e frases descontextualizadas. O enfoque está no aluno que constrói seu conhecimento com as experiências que vivencia em todos os ambientes em que se faz necessário o uso social da linguagem e da escrita.

Antes de alfabetizar, precisamos trabalhar diversas habilidades imprescindíveis ao final do processo. São elas:

  • Autonomia e segurança;
  • Conhecimento do próprio corpo;
  • Habilidades motoras;
  • Interesse e encantamento pelo mundo;
  • Criatividade e ludicidade;

Os pais devem colaborar e incentivar no processo de alfabetização sendo exemplo para seus filhos. Atitudes simples podem trazer grandes benefícios:

  • Leitura em família de diferentes tipos de textos;
  • Oportunizar a criança que ela organize sua fala, seu pensamento, enriquecendo o seu vocabulário para expressar suas ideias;
  • Provocar a criatividade em diversas situações incentivando a fantasia e a imaginação;
  • Permitir a criança pensar nos sons das letras antes de escrever;
  • Brincar com rimas, com palavras e com jogos pedagógicos;

É preciso ir além! Assim, é preciso garantir que os alunos possam fazer uso da leitura e da escrita em diversas situações do cotidiano para que se apropriem da função social dessas duas práticas. As crianças precisam saber ler, mas também precisam ser capazes de compreender o que foi lido. Elas precisam saber escrever palavras e frases, mas precisam também compreender que elas podem se comunicar através da escrita.

A apropriação do sistema alfabético e ortográfico da língua é imprescindível, sendo este um processo delicado e complexo que necessita um olhar para cada aluno em sua especificidade.

 

Levar em consideração a individualidade de cada criança em seu processo de alfabetização, permitirá que ela se desenvolva no seu próprio tempo.

 

Assim ele irá aprimorar suas habilidades e adquirir maturidade suficiente para que tudo transcorra da forma mais natural e prazerosa possível.

Um empasse na alfabetização é o questionamento de técnicas e métodos de se alfabetizar. Ressaltamos que a individualidade é algo que devemos respeitar lembrando que existem vários métodos. Mas o que importa não é o método, e sim o professor contextualizar a realidade de cada ser e sistematizar as informações ou os meios que vai se aplicar às diferentes técnicas.

 

Então, como estimular o processo de alfabetização?

O material colorido, atrativo e lúdico são os campeões ao se alfabetizar. O profissional alfabetizador deve ser criativo e ter ligação afetiva com o educando.  Saber onde se quer chegar com todo o processo de leitura e escrita, proporcionando o desenvolvimento da autonomia.

A alfabetização inicia-se nos primeiros anos de escolaridade, mas por toda a vida escolar os alunos avançarão em seu domínio do sistema ortográfico. As novas práticas estimulam as crianças a se arriscarem na leitura e na escrita, mesmo que cometam erros, pois se o professor corrigir tudo e o tempo todo, pode acabar inibindo o processo, desestimulá-las e desencadear situações opressivas e traumáticas.

Os estímulos e incentivos são essenciais, assim como a percepção da autoestima e autoconfiança da criança que está sendo alfabetizada. Ela deve ser respeitada levando-se em consideração seu desenvolvimento cognitivo, social, emocional e afetivo em todas as áreas do conhecimento.

 

E atenção…

As comparações podem acarretar inúmeros prejuízos para as crianças em processo de alfabetização. Cada ser humano é único em suas potencialidades e dificuldades, por isso a importância de respeitar cada uma na sua individualidade.

A afetividade é de extrema importância para que o vínculo entre professor e aluno possa se consolidar numa relação de confiança, respeito e dedicação. Quando o aluno se sente respeitado, amado e cuidado ele consegue se dedicar mais e buscar superar suas dificuldades com maior entusiasmo, pois compreende que pode contar com o apoio do seu professor para avançar e prosseguir.

Práticas atrativas, prazerosas e contextualizadas permitirão que os alunos possam ter interesse, prazer e alegria em aprender a ler e escrever. Proporcionar através de diversas situações que eles possam compreender a função social da leitura e da escrita contribuirá para que eles se apropriem corretamente da língua.

Ser alfabetizado é uma oportunidade de garantir um melhor exercício da cidadania!